Cenagro debate custos de produção da piscicultura em Propriá

O Cenagro (Cenário Agropecuário de Sergipe) realizou, no último dia 15 de abril, um encontro no município de Propriá/SE voltado à análise da piscicultura na região. O encontro reuniu produtores de peixe para discutir a realidade da atividade e levantar informações estratégicas para o setor, a partir da vivência prática no campo e das particularidades locais.

Durante o painel técnico, foram apresentados dados relevantes sobre os custos de produção da piscicultura. De acordo com a analista do Núcleo Pecuário da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese), Mikaele Alexandre, o cenário típico da piscicultura na região de Propriá é caracterizado por propriedades com aproximadamente 3 hectares, contendo em média 8 tanques de produção. A principal espécie cultivada é o tambaqui (Colossoma macropomum), com ciclo produtivo médio de 10 meses, produção anual em torno de 9 toneladas e valor médio de comercialização de R$ 10,00/kg.

Com base nas informações apresentadas, o custo operacional efetivo (COE) da produção foi estimado em R$ 7,74 por quilo, resultando em uma margem bruta (MB) de R$ 2,26 por quilo. O COE corresponde aos custos que o produtor desembolsa diretamente para produzir, como ração, energia, insumos e mão de obra contratada, enquanto a margem bruta indica o valor que sobra após o pagamento dessas despesas. No entanto, ao considerar também os custos estruturais, como a mão de obra familiar e a depreciação de benfeitorias, equipamentos e máquinas, a margem líquida (ML) é reduzida para R$ 0,96 por quilo, o que demonstra uma baixa capacidade de reinvestimento e reforça a importância de ganhos em eficiência produtiva.

Segundo a analista, o diagnóstico apontou para duas frentes estratégicas prioritárias: o aumento da produtividade e a valorização do produto. “É fundamental ampliar o acesso à assistência técnica e gerencial, permitindo um melhor direcionamento dos investimentos e o uso mais eficiente da estrutura já existente. Além disso, a organização dos produtores, especialmente por meio do cooperativismo, pode viabilizar o beneficiamento do pescado, reduzir a dependência de intermediários e ampliar o acesso a mercados com maior valor agregado”, destacou.

Para o secretário de Agricultura de Propriá, Heldes Guimarães, o Cenagro representou um avanço importante para o planejamento da atividade. “Esse é um momento ímpar para o piscicultor, que passa a trabalhar com base em dados concretos. O produtor consegue entender melhor seus custos, sua margem e seu potencial, o que contribui para decisões mais seguras e alinhadas à realidade da região”, afirmou.

Na avaliação do piscicultor Gilmar Santos, a iniciativa também fortaleceu a troca de experiências entre os produtores. “Esses encontros agregam muito conhecimento. Com as orientações do Senar, hoje temos um controle maior dos custos e conseguimos nos planejar melhor para os próximos ciclos de produção”, ressaltou.
Com mais uma edição realizada, o Cenagro segue contribuindo para decisões mais assertivas no campo, com base em dados e na realidade de cada região.

Sobre o Cenagro

O Cenagro, criado em 2025 pela Faese, realiza um panorama contínuo das cadeias produtivas estratégicas atendidas pelo Senar Sergipe, transformando informações econômicas em inteligência aplicada ao campo e subsidiando decisões mais assertivas para o produtor rural.