Exportações de suco de laranja registram redução na receita e reforçam importância do monitoramento do mercado internacional

As exportações brasileiras de suco de laranja encerraram a safra 2025/2026 com volume praticamente estável, mas registraram uma redução expressiva na receita. O resultado reflete a queda na demanda internacional e a pressão sobre os preços, cenário que acende um alerta para a cadeia produtiva, cuja rentabilidade permanece diretamente ligada ao comportamento do mercado externo.

De acordo com análise do Núcleo Econômico da Faese, o desempenho foi influenciado pelos elevados preços praticados nas safras anteriores, que estimularam consumidores a buscar alternativas mais acessíveis, além dos impactos provocados por fatores climáticos adversos e pelos efeitos do greening sobre a produção. A redução da participação de mercados tradicionais, como a Europa, também contribuiu para o novo cenário de comercialização.

Em Sergipe, a Faese acompanha continuamente o comportamento do mercado, mantendo diálogo com a indústria e realizando acompanhamento técnico junto aos produtores rurais, com orientações sobre manejo e alternativas para o escoamento da produção. O objetivo é oferecer informações que auxiliem na tomada de decisões diante das oscilações do mercado e fortaleçam a competitividade da citricultura sergipana.

Segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM/IBGE), a citricultura em Sergipe passou por um processo de reestruturação produtiva entre 2014 e 2024. Embora a área colhida tenha sido reduzida de 51,9 mil para 31,3 mil hectares, a produtividade apresentou evolução significativa, passando de 11,8 para 14,2 toneladas por hectare. Como resultado, a produção alcançou 443,7 mil toneladas em 2024, crescimento de 12% em relação ao ano anterior.

O aumento da eficiência produtiva também se refletiu na valorização econômica da atividade. No período analisado, o Valor da Produção passou de R$ 196,6 milhões para R$ 718,6 milhões, evidenciando a importância da cultura da laranja para a economia agrícola sergipana, mesmo diante da redução da área cultivada.

A análise das exportações cítricas de Sergipe entre 2020 e 2026 revela que a evolução da receita não acompanhou necessariamente o aumento do volume exportado. O levantamento aponta forte volatilidade ao longo da série histórica, indicando que fatores como preços internacionais, taxa de câmbio, oferta global e demanda dos principais mercados importadores exercem influência direta sobre o desempenho econômico do setor.

Outro ponto de destaque foi o comportamento do preço médio das exportações. Entre 2020 e 2024 houve forte valorização do produto e, em 2025, os preços permaneceram elevados, sustentando uma receita recorde. Em 2026, entretanto, mesmo com aumento de 24% no volume exportado, o valor das exportações recuou 35%, reflexo da queda aproximada de 48% no preço médio do produto em relação ao ano anterior.

Para a analista do Núcleo Econômico da Faese, Paloma Góis, o cenário evidencia que a receita das exportações está mais sensível às oscilações dos preços internacionais do que ao crescimento do volume embarcado.

“O desempenho observado em 2026 demonstra que aumentar a quantidade exportada não significa, necessariamente, ampliar a receita. A expressiva redução dos preços internacionais teve impacto maior do que o crescimento do volume comercializado. Esse comportamento reforça a importância do monitoramento permanente das cotações internacionais, da taxa de câmbio e das condições globais de oferta e demanda, permitindo que produtores e demais agentes da cadeia tenham informações mais qualificadas para o planejamento da atividade e a tomada de decisões.”

Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento estão a normalização da oferta mundial de suco de laranja após um período de escassez, a recomposição dos estoques internacionais, a redução das cotações das commodities, mudanças na demanda dos principais países importadores, possíveis variações cambiais e o aumento da concorrência entre os principais países produtores e exportadores.

Os resultados reforçam a elevada dependência da citricultura em relação às condições do mercado internacional e evidenciam a necessidade de acompanhamento contínuo dos indicadores econômicos que impactam a competitividade do setor. Nesse contexto, a atuação da Faese contribui para oferecer informações técnicas que auxiliem produtores e instituições na compreensão do mercado e no fortalecimento da cadeia citrícola sergipana.