Cenagro projeta o futuro da agropecuária em Sergipe

Lançado oficialmente em dezembro de 2025 pelo Sistema Faese/Senar, o Cenagro (Cenário Agropecuário de Sergipe) chega para preencher uma lacuna do setor agropecuário: a ausência de dados precisos sobre o custo de produção do produtor rural no estado. O projeto realiza um panorama contínuo das cadeias produtivas estratégicas atendidas pelo Senar Sergipe, transformando informações econômicas em inteligência aplicada ao campo.

Para a analista do Núcleo Econômico da Faese, Paloma Gois, o Cenagro fortalece a tomada de decisões do produtor rural. “O Cenagro oferece ao produtor uma visão clara da realidade econômica da sua atividade. Com dados confiáveis, ele consegue planejar melhor, ajustar investimentos e tomar decisões mais seguras, reduzindo riscos e aumentando a eficiência da produção”, destaca.

De acordo com a analista do Núcleo Pecuário da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese), Mikaele Alexandre, o foco do projeto é transformar dados em ações concretas.
“O Cenagro busca levantar os custos de produção, mas o grande objetivo é entender as fragilidades de cada cenário. Identificar esses pontos sensíveis nos permite adotar ações estratégicas para fortalecer o produtor e transformar fragilidades em forças”, afirma.

As cadeias monitoradas abrangem a Pecuária (leite e corte), a Aquicultura (piscicultura e carcinicultura) e criações diversas, como apicultura, meliponicultura, avicultura e suinocultura. No setor vegetal, o foco está nas culturas de cana-de-açúcar, citricultura, rizicultura, fruticultura e grãos, como o milho.

Diagnóstico e inteligência no campo

Um exemplo prático da força dessa ferramenta foi o primeiro painel realizado em Porto da Folha, dedicado à cadeia do leite. O levantamento revelou que o custo total (CT) da produção na região é de R$ 2,49 por litro, com margem líquida de R$ 0,03. O diagnóstico apontou que o concentrado (24%), a silagem (23%) e a mão de obra (22%) são os principais itens que elevam o custo de produção.

Após o diagnóstico, a orientação da Faese foi estimular a organização dos produtores para a compra coletiva de insumos, reduzindo custos. Além disso, a adoção de tecnologias na pecuária leiteira, embora eleve o custo inicial, apresenta retorno positivo no médio prazo.

Já na carcinicultura, o painel do Cenagro realizado no município de São Cristóvão identificou uma margem bruta apertada, associada principalmente à produtividade. O diagnóstico mostrou que, apesar do investimento em insumos, muitas decisões ainda são tomadas sem direcionamento técnico adequado, evidenciando a necessidade de evolução técnica da cadeia.

Para o produtor de camarão Carlos Tadeu, do município de São Cristóvão, que participou do encontro com produtores da cadeia, o Cenagro representa um divisor de águas na gestão da atividade.
“A gente passa a enxergar onde realmente está gastando mais e se esse gasto está trazendo resultado. Com o Cenagro, fica mais fácil decidir onde investir, o que ajustar e como produzir melhor. Isso ajuda muito quem está no dia a dia da criação”, avalia.

Expansão e estratégia para 2026

Com esse mapa detalhado em mãos, o Sistema Faese/Senar ajusta suas consultorias para atuar diretamente na otimização dos recursos. O monitoramento já avançou pelos municípios de Porto da Folha (bovinocultura de leite), Propriá (rizicultura) e São Cristóvão (carcinicultura). Para 2026, o calendário de painéis será intensificado, ampliando a cobertura do mapa produtivo de Sergipe.
O diferencial do Cenagro está na assistência técnica mais assertiva. “O técnico de campo não chegará mais à propriedade com suposições; ele chega com a ferramenta de análise da região em mãos”, reforça a gerente da Assistência Técnica e Gerencial do Senar Sergipe, Taynã Matos.

Se os custos de um produtor estiverem acima da média apontada pelo Cenagro, a intervenção é imediata, com orientação técnica focada na redução de despesas e na transformação da eficiência produtiva em margens de lucro sustentáveis.