Faese analisa resultados do Campo Futuro e destaca caminhos para o produtor sergipano planejar a próxima safra

A Faese analisou os resultados do Projeto Campo Futuro, realizado entre julho e agosto de 2025. A iniciativa do Sistema CNA/Senar, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), tem como objetivo levantar os custos de produção de diferentes atividades agropecuárias em todo o país e é realizado desde 2007.

As informações são levantadas a partir da análise de uma propriedade que representa a realidade local, chamada “propriedade modal”, para levantar dados sobre produção e custos. Com base nessas informações, calcula-se o Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne as principais despesas diretas da atividade. Em Sergipe, o estudo avaliou os custos de produção do leite em N. Srª da Glória e  Lagarto e do milho (grão) em Itabaiana.

Segundo a analista pecuária da Faese, a zootecnista Mikaele Alexandre, em Glória, município que representa a principal bacia leiteira do estado, a produtividade média alcança 18 litros por vaca/dia e 5.703 litros por hectare/ano, números que superam as médias estaduais. O desempenho é resultado do uso de tecnologias como inseminação artificial, melhoramento genético e ordenha mecânica, mas o levantamento mostrou que os custos operacionais correspondem a 87,9% do valor recebido pelo litro de leite, o que indica que muitos produtores ainda operam próximos do limite de rentabilidade.

“A alimentação dos animais representa a maior parcela dos custos, com o concentrado respondendo por 39,5% do COE e a silagem de milho por 22,2%”, explicou Mikaele. “Esses custos podem ser reduzidos com medidas como a compra coletiva de insumos, o planejamento forrageiro e o uso de leguminosas, que contribuem para a resiliência produtiva e redução de despesas”, concluiu a zootecnista.

No caso do milho, a propriedade modal analisada possui 120 hectares, com expectativa de colheita entre 115 e 120 sacas por hectare e preço projetado de R$ 63,50 por saca. De acordo com a analista econômica da Faese, Paloma Gois, os principais componentes do COE são os insumos, as operações terceirizadas e a mão de obra. Em comparação com o ano anterior, houve um aumento de 18% nos custos de produção.

“Diante desse cenário, torna-se essencial o acompanhamento contínuo dos indicadores de custo e preço, bem como o planejamento estratégico das propriedades, a fim de garantir maior sustentabilidade econômica tanto da pecuária de leite quanto do milho no estado de Sergipe”, explicou a economista.

Para o produtor de leite Márcio Góis, de Nossa Senhora da Glória, o Campo Futuro é fundamental porque permite conhecer todos os custos reais da atividade. “Muitos desses gastos nós nem percebemos ou anotamos, e o projeto ajuda a conhecer todas essas despesas e a planejar melhor a gestão da propriedade”, destacou.

Com o Campo Futuro, a Faese reforça seu compromisso em promover o acesso dos produtores a informações e a sustentabilidade das propriedades e das atividades agropecuárias do estado.